quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sou contra

Sou contra o exame físico sem anamnese prévia e os exames complementares antecipando-se ao diagnóstico.
Sou contra prontuários sumários e opiniões simples de consultores.
Sou contra a tecnologia sem ponta e contra as técnicas barateadas pela ineficácia. Sou contra diagnósticos brilhante porque, quase sempre, são simples sacadas de alguém que já viu ou leu; raramente fruto de difíceis e operosas reflexões.
Sou contra quem fala muito e ouve pouco porque não sabe eleger palavras ou atos.
Sou contra opiniões múltiplas que nada acrescentam ao caso e contra quem não tem opinião.
Sou contra doenças raras, quando fruto do delírio de nefelibatas atuantes e contra doenças comuns mal atendidas pelo "farmacêutico" José.
Sou contra opinantes desprovidos de experiência e contra médicos incapazes de decisões.
Sou contra voluntaristas que tudo decidem, e contra aqueles que os aceitam.
Sou contra doutores impacientes e contra pacientes prolixos.
Sou contra um ouvido para o presente sem outro para o ausente.
Sou contra limites de tempo e pletora de doentes.
Sou contra má paga a procedimentos invasivos e paga menor a tarefas cognitivas.
Sou contra diagnósticos autoevidentes e contra evidências sem provas.
Sou contra a falta de prudência e contra a alegre inconsciência.
Sou contra "ensaios" terapêuticos e contra abordagens extravagantes.
Sou contra os resolutivos constantes e contra triadores costumazes.
Sou contra os que não aprendem com o erro e contra os que só fazem errar.
Sou contra os que só têm clientes e contra os pacientes donos de médico.
Sou contra os humildes perante poderosos e contra os arrogantes em face dos desvalidos.
Sou contra os novidadeiros e contra os terapeutas d'antanho.
Sobretudo, sou contra mim mesmo, que não consigo estar sempre no avesso disso tudo.

(João Manuel Cardoso Martins)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Seres biopsicossociais


Como definimos o valor de uma única pessoa? principalmente se ela foge dos padrões, e não parece ser priorizada.
Na medicina temos isso sabe, sua angústia é epidemiológica, quanto mais raro e mais carente, menos se dá importância e menos se é pesquisado, terminando um esquecimento terapêutico. Afinal, quem que quer investir em uma doença de países subdesenvolvidos?
Isso sempre vai acontecer, por que existem pessoas que só conseguem enxergar o que estar diante dos olhos delas, e nada mais que isso
Por que o médico tem que ser capaz de ouvir o coração do paciente que não seja através de um estetoscópio,